"No Altiplano Boliviano, a 3.800 metros acima do nível do mar,o vento gelado,mesclado a pequenas particular de sal,é o primeiro sinal dado pelo Salar de Uyuni ao visitante. Este deserto com seus 12.500 Km.2, onde o frio no inverno chega a 30 graus negativos, é branco como a neve. Seu horizonte é tão nítido e sua atmosfera tão limpa que é possível ver claramente a curvatura terrestre desenhada no azul do céu.É neste lugar, Único no mundo, que nasce a QUINUA REAL (Quinoa), cereal sagrado dos Incas. Qualificada como o melhor alimento de origem vegetal para consumo humano, pela Academia de Ciências dos Estados Unidos e selecionada pela Nasa para integrar a dieta dos Astronautas em vôos espaciais de longa duração, por seu extraordinário valor nutritivo. Investigadores que vem estudando a QUINUA REAL, nas ultimas décadas,constataram, que seu valor nutritivo - só comparado ao leite materno - a converte no alimento mais completo do planeta, muito superior aos de origem animal, como a carne, o leite, os ovos e o peixe." Este texto foi retirado do site que parece ser da empresa que patenteou a Quinua Real. Maiores informações no endereço eletrônico: http://www.quinuareal.com.br/quinua.asp O que são alimentos naturais? Seriam aqueles que se opõem aos industrializados? Neste caso, os sucos em caixinha não podem ser considerados naturais e nem mesmo qualquer "orgânico" que tenha sido embalado. No mais, existem engenhos de farinha há milênios, e, nem por isso, pode-se dizer que os antigos comiam alimentos industrializados. Seriam, portanto, opostos aos alimentos processados? Neste caso a gasolina é mais natural que o suco em caixinha visto que ela passa por uma destilação fracionada, o que é muito simples e poderia, inclusive, ser feito em casa. (E o dia que lançarem bife de petróleo eu serei o primeiro a experimentar) por leigos ao passo que o suco tem uma série de processos químicos a serem realizados. A Quinua Real nos mostra, ao contrário, que alimentos naturais são os alimentos que são dados pelo divino. É um alimento tão divino que consiste até no segredo dos incas, os quais, de lá obtinham sua força. No mais, é algo tão natural e divino que arroz e feijão já não servem mais, já não são naturais ou divinos por conta da divindade da Quinua Real. O próprio nome já diz: o fato da Quinua ser "real" advém de rei, o qual é sempre aceito e mantido por Deus. No caso dos incas, a divindade do rei está no próprio sol, símbolo, inclusive, de uma das novas fontes energéticas ditas limpas. Portanto, a Quinua Real é limpa, divina e natural. Isto vem em boa hora em que alguns, por outro lado, evitam comer o divino, como acontece com os vegetarianistas veganos, os quais não comem nenhum animal, apenas frutas caídas, fungos, etc. Curioso é de se notar que a apreensão da fruta não foi na tradição hebraica o que levou os homens ao paraíso. Muito pelo contrário, foi o que os retirou de lá. A diferença entre Adão e Eva e os veganos está no fato de que os primeiros retiraram o fruto e os segundos esperam o fruto ser dado pelos deuses. Muito embora a Quinua Real seja retirada ainda enquanto é viva, isto não fica muito claro ao consumidor, restando uma dúvida ou ao menos uma esperança sobre a sua procedência divina e, por outro lado, ela é um vegetal que contém toda a essência nutritiva da animal sem ter natureza animal, por isso sua natureza é realmente divina. Ela é, portanto, o que junta o natural ao divino. Não é à toa que ela é o alimento dos astronautas, os homens que mais se aproximam das possibilidades de Deus. Há um pequeno problema: A Quinua Real é cara. Muito mais que o simples arroz e feijão. Assim, somente poucos podem se salvar. Isto seria muito interessante se aqueles que têm recursos pudessem se gabar da Quinua e o preço dos outros alimentos caísse em virtude de seu reconhecimento como mundano ou como alimento industrializado. No entanto, isto não é o que acontece. Ao contrário, há uma constante busca pela divinização da natureza dos alimentos. Antes eram os leites concentrados (em pó), depois os lights, depois os orgânicos e recentemente a Quinua Real parece ser o top de linha, aumentado ainda mais os preços dos alimentos em razão da crença na salvação. Talvez seja a hora de dar ao natural o seu verdadeiro valor. Reconhecer a naturalidade e não a divindade do natural. Aliado a isto, também se poderia pensar na naturalidade do cultural, o que abarca tanto os alimentos industrializados (que poderiam ser ditos culturais) como, por exemplo, outros compostos naturais, a exemplo do biodíesel e do petróleo (que ainda não é alimento mas é natural). Do contrário, acontence o que assistimos: preços nunca vistos (uma valorização inédita) tanto dos alimentos como dos derivados de petróleo. Ambos estão portanto interligados porque são natureza divinizada, seja ela mortal ou imortal. A boa notícia consiste que essas fronteiras caras ao poder entre o cultural (industrial) e o divino vêm sendo constantemente relativizadas na prática. Tome-se o exemplo de que recentemente um carro cruzou o país com óleo de cozinha (soja) com uma pequena adaptação no motor. Além disso, é do domínio de todos como os polímeros acabaram tomando o lugar da proteína natural chamada celulose: o plástico substituiu a madeira. Achar, portanto, o natural do arroz, da gasolina, do biodíesel e da Quinua Real soa como uma desativação da divindade, seja ela Deus (Quinua) ou o homem (petróleo) e, sobretudo, a desativação da força que opera esta separação. Quem sabe, assim, os preços de ambos os produtos pudessem ser terrenos. Um desvirtuamento completo poderia ser feito para agradar aos seres viventes e não mais para sustentar os carros ou os astronautas.