Os pingüins que estão chegando até a Bahia são os da espécie “de Magalhães” (Spheniscus magellanicus), que vivem em um vasto território próximo à Antártida. Há pingüins de Magalhães, como esses da foto de Karen Massier (iStock), na Patagônia (sul do Chile e Argentina) como também no sul da Austrália. A população estimada é de 2,6 milhões bichinhos que medem cerca de 70 centímetros e pesam um pouco mais de sete quilos em média. Com essa enorme população, é normal que se presuma que eles não devem estar ameaçados. Mas não é bem assim. Em 2000, União Internacional pela Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) considerou a espécie próxima da ameaça. Isso por causa, principalmente, da exploração petrolífera com sua conseqüente poluição e da pesca desenfreada de espécies de peixes que são sua base alimentar. Para se ter uma idéia, nas ilhas Faulkland (ou Malvinas para quem preferir) de 1989 até 2000, houve uma queda de 50% na sua população nativa. É bem provável que essa chegada atípica de pingüins de Magalhães a regiões quentes como o nordeste brasileiro possam acabar confirmando uma tendência de ameaça. Tomara que esse status seja também atípico como a ocorrência deles em terras tão quentes.