Ontem, dia de muito frio, no Rio ... Saí de Alcatraz, digo trabalho, e fui direto pra Livraria da Travessa. O trânsito, como de costume, caótico, mas o motorista de táxi, boa praça cortou caminho e pude chegar cinco minutos antes pra noite de autógrafos do Zé Ramalho. Zé, assim como Fagner, Manassés, Robertinho do Recife, Belchior fazem parte da minha juventude. Num passado longínquo, me recordo da propaganda boca a boca dos colegas do curso técnico sobre uns artistas novos que surgiam e um colega, o Zé Maria, típico adolescente de cabelos encaracolados e idéias novas inisistia para que nós assitíssemos. Ontem, depois de muitos verões, cabelos brancos e um pouco mais de (i)maturidade, fui reencontrar alguns dos atores dessa minha epopéia ! Conheço o produtor, Marcelo Fróes há mais de 20 anos, quando colecionava ávidamente tudo relacionado ao mundo Beatlemaníaco. Ele não é músico, mas o amor pela música, levou-o a tornar-se um "arqueólogo" musical. "Capo" da revista/jornal underground (nem tanto assim, vá lá ) International Magazine, levou o hobby bastante a sério, e agora é o dono da gravadora Discobertas. O selo pretende resgatar material desconhecido do grande público, de grandes nomes da nossa música. Para mim, o que ele pretende é muito mais que isso. É documentar parte da história musical, que ao passar do tempo se perde, ou propositadamente se faz perder. Não pretendo contar a sua história, que por sinal é bastante interessante, é só gogglar que se tem idéia do que ele produziu. O mais interessante é que com esse trabalho de pesquisa, ele ganhou uma credibilidade enorme junto aos artistas e se hoje temos acesso a algumas pérolas em CD, temos que agradecê-lo. É o precursor aqui no Brasil, do que ocorre nos EUA há anos (lembram-se da caixa Crossroads do Eric Clapton ?), iniciando com a caixa Ensaio Geral, do atual ministro da Cultura, Gilberto Gil. Assim, para inaugurar o selo, ele garimpou as fitas de shows cruciais na carreira do cantautor Zé Ramalho. Sim, inclui admirável gado novo (cantei até a exaustão lá no trabalho) que para mim permanece atualíssima. Lendo algumas resenhas na grande (e pequena) imprensa, li que a qualidade das fitas estava ruim, bla bla blá. O que se esquecem de comentar (alguns) é que as fitas representam uma fotografia do momento pelo qual Zé decidiu tomar um rumo decisivo na carreira, e nas palavras do prórpio, é necessário ouvi-las como se fosse uma desconstrução de toda sua obra e ouvi-la como se fosse uma prova documental daquele período. Zè autografou o cd com bastante simpatia, bastante feliz por sinal e como eu era um "estranho" no ninho (não sou músico, nem artista...) fez questão de tirar a foto num carinhoso abraço. às vezes, como disse nas linhas acima, me parece familiar... Eis quem chega, pra festa de arromba, o meu, o nosso amigo, Erasmo Carlos ! Não quis aborrecê-lo com fotos, já que a noite era do Zé e meu foco era esse, mas quem sabe o Marcelo nos arranja um encontro pra que ele autografe o Mulher, Carlos, Erasmo e o Pelas Esquinas de Ipanema, que ouço TODOS os dias... A distribuição do selo Discobertas é feita pelo Coqueiro Verde, garavdora do Erasmo, que também foi objeto de duas caixas que contam sua história. Zé foi apresentado pelo guitarrista e produtor, Robertinho do Recife. Robertinho foi entrevistado pelo Marcelo há 10 anos para a International Magazine, e Marcelo também estava envolvido com a apresentação do produtor e músico George Martin no Brasil e discutiram uma gravação que Robertinho fizera da música Pepperland, que George gostara... Bem, tenho alguns Guitar Heroes em minha vida... Alguns deles vocês podem ver na minha página do myspace, mas Robertinho é especial. Ele apresentou a linguagem que somente hoje muitos dominam. Imagine uma pessoa oriunda do Nordeste, ousando num instrumento não convencional na região (eu sei que existe a guitarrada, mas isso é outro papo), vindo de uma carreira bem sucedida nos EUA e ao chegar aqui apresenta uma linguagem nova, que até hoje influencia muitos guitarristas. Robertinho caminhava solitário entre os livros quando abordei-o. Ele óbviamente assustou-se, mas expliquei que queria bater um papo rápido pra postar nesse blog. Ele foi bastante simpático e iniciamos a conversa falando da sua influência em vários guitarristas, inclusive um lá da terra, o Fred Andrade, que é outro "fera". Ele riu e contomentou que o Fred enviou-lhe 3 cópias do mesmo disco pra garantir que iria ser ouvido. Imagine só admiração desse "caba bão" !!!! Falamos sobre gravadoras, o que motivou a tocar desta forma, os anos heavy metal, inclusive falei que num encontro sobre um vídeo com o Renato Massa (um excelente baterista que toca com o Lord Ed Motta e faz parte de um grupo de música instrumental - Foco) bem cabeludo, bastante diferente do repertório que toca/acompanha hoje, produção (ele é pai da cantora Roberta Sá !), um disco que ADORO chamado Robertinho no Frevo, que ele toca como Hermeto Pascoal. Essa história por sinal foi a mais interessante, porque a gravadora deu um "Graças a Deus" pro Robertinho lançar algo da terra, porém, mais uma vez ele surpreendeu ousando com harmonias bastente diferentes, virtuose e uma saborosa alquimia com o bruxo Pascoal Informou-me também que iria fazer uma compilação com esse material, algumas sobras e material novo para que, mesmo nessa era de decadência do CD outras pessoas como eu tivessem acesso ao que foi feito e assim estudar e apreciar seu trabalho. Quem sabe o Marcelo não embarca nessa mais uma vez ! No final do papo, ele fez questão de dar um abraço, já que o papo foi muito interessante e o amor que nos une, a música é maior que as coisas ruins que ele viveu. Robertinho trafegou do Rock ao pop com a mesma desenvoltura e passa isso nas suas produções, inclusive o disco do Falcão (que é muito divertido). Robertinho do Recife é um grande Cara !!!! Tks Marcelo por mais esse lançamento e PARABÉNS !!! O título desta entrada do blog foi tirado da estrofe de uma música do Zé, chamada A Árvore.